quarta-feira, maio 14, 2008

um dia eu trouxe uma sombra. encostei-a a um canto do meu quarto e deixei-a lá, para que olhasse para mim. às vezes preciso que olhem para mim, só porque sim. não se trata de ter um desejo íntimo e incontrolável de ser o centro do mundo, trata-se, isso sim, de uma necessidade de olhar alguém nos olhos. e como desde há muito tempo as pessoas não se olham nos olhos, eu encontrei uma sombra. essa ainda me olha nos olhos.
as pessoas perderam esse hábito.

é como se agora o Tempo, esse inimigo, não nos deixasse olhar as outras pessoas nos olhos. como se agora as almas se ferissem em pequenas desventuras insípidas, até se arranharem na sua essência.
será que essa ferida vai sarar?
às vezes a minha mãe dizia essa palavra "sarar" e eu achava que ela tinha tanto de engraçado como de ridículo...perdia-me na sua sonoridade. sarar! sarar!
mas agora entendo porque é que é tão importante sarar as feridas, mesmo os arranhões mais pequenos podem tornar-se buracos enormes, se não forem bem sarados. E só o tempo e os olhares, e muitas vezes a paciência, nos permitem sarar as feridas.
Só que agora, nos tempos de hoje, essas palavras estão em vias de extinção! não se encontram nas gentes, e eu tenho saudades delas! tempo, olhares, paciência!
talvez um dia todas elas renasçam! todas elas surjam, dentro ou fora das pessoas, nas sombras que olham para nós, ou na manhã que nasce para nós, ou na noite que se veste para nós...gentes! perdidas! como eu!

2 comentários:

zita disse...

Oh sofia....não preciso dizer mais nada pois não? Parece que essa sinceridade em olhar (olhar, sentir, falar) teima em ter o efeito contrário nas pessoas: em vez de aproximar, intimida... Vou começar a ter mais cuidado.

Mas nos entretantos, posso dizer: GOSTO DE TI TB! *

Vânia Monteiro Dias disse...

bem me parecia que te tinha visto lá! Estava no topo e vi-te lá :) foi lindo.