terça-feira, março 20, 2007

As palavras são sensações
Esbranquiçadas pelos desvios dos caminhos,
E as interrogações, essas,
São iguais as vozes que entoam nos ouvidos,
Silenciosamente,
Enquanto dormimos.
Percebo que nas tuas mãos
Caibam todos os sonhos da juventude
E todas as coisas são ténues
Recordações.
Mas as flores ainda nascem
No teu jardim
E os teus olhos, verdes,
São esperança!

E num instante surdo
Perdemos a idade das ilusões
Mas encontramos,
Nos segredos sossegados,
Um recanto para as pessoas,
Aqueles que amamos,
E aí
Plantamos o nosso jardim.
*

segunda-feira, março 19, 2007


shhh...

As tardes, meu amor, enchi-as de nada. Tornavam-se quentes com sorrisos e cinzeiros cheios de conversa deitada fora, não tinhamos que dar justificações ao tempo e ele corria sem nós. Sem pressa. Fomos crescendo, aí. Umas vezes divagamos em uníssono e os nossos sonhos eram palpáveis. Sentavamo-nos horas a fio naquelas cadeiras, pediamos cafés. Havia dias em que não tinhamos nada para dizer e o silêncio tomava o lugar das palavras.