segunda-feira, outubro 02, 2006

Deixei de ouvir a voz que sussurava atras da porta. Deixei de ouvir aquele ruido constante ao meu ouvido. Aquele ruido que gritava, ensurdecendo. E eu nao esquecia o som do seu grito. Sentia-o como sentia a chuva na pele; aquele cair lento e insensível dos salpicos de agua que caem do céu e se confudem com a epiderme. Um dia, sem explicaçao, parou...o grito e a minha alma resente-se no silêncio respiravel das palavras que ficaram por dizer, que nunca vao ser ditas. E tantas vezes, quando a noite apodrece, desejo-as (as palavras...), procuro-as. Sempre procurei saber o que dizer naqueles dias tardios em que a sua sombra me visitava, ingénua...e fechava os olhos à razao, ao senso das coisas já vividas, já conhecidas. Nao a via. Nao o via. Mas os ouvidos, esses cumplices dos sonhos mais humanos e tenues, nao se cerravam...ouvia-a, enquanto a noite caia vagarosa no meu sonolento abrir e fechar de olhos. Ouvia-a chorar!
Por discordia...Por amor...Por paixao...
Queria ser eu a dizer as palavras sábias escondidas nos suspiros que agonizavam atras de mim (e era eu quem se escondia atras da porta). Quando cessou, o grito, a voz, a tormenta, percebi que era gente. Gente calada, muda na angústia de um dia cheio de outra gente. Um dia cheio de gente que nao sabe viver.

1 comentário:

vania disse...

que texto bonito mana... todos nos sentimos assim pelo menos uma vez na vida, sem saber como dizer aquilo que nos vai na alma e nos consome o corpo... sao sensacoes que doem e que acalmam ao mesmo tempo... sensacoes que nos magoam para nos dizer que estamos vivos...


fazes-me falta mana... **** 'telinha!