Como repousam os objectos, os edificios, a natureza quando nos ausentamos deles? Repousam em si mesmos, para si mesmos, assentes nos seus próprios traços, linhas e contornos, ou continuarão habitados por uma presença que deles parece ausentada?
Como vislumbrar os sinais dessa ausência habitada que, aparentemente, teima em escapar-nos sob a indistinta e vaga percepção de isolamento e desolação? Vislumbramo-nos através da luz: da luz física que alberga em si uma outra luz que é a memória.
A luz permite ver traços, linhas, contornos, retraça-nos as peculiaridades dos objectos, e de súbito entra em jogo outra luz que nos faz ver os sinais de uma ausência habitada, ainda há instantes habitada, instantes que se estilhaçam em números prodigiosos de horas, anos, décadas, séculos? ...
Entao...quando é que os osbjectos, os edifícios, os monumentos, a paisagem, repousam? Não precisam de repousar. Estão habitados e oferecidos pelo olhar.
Mesmo se, aparentemente, os vemos como ausências: serão, sempre, ausências habitadas.
Alberto Gomes
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