
Esta fome que devasta
Tem outro nome
Quando me escondo;
Atrás da cortina azulada
É uma coisa diferente
Da fome do corpo;
De olhos bem fechados
É uma faca cravada no peito…
Mas é fome.
Fome do teu corpo maduro
Do teu sabor agridoce
Na minha língua salgada,
Sede da tua pele
E do teu desejo incansável.
Esta saudade que consome
Até as células da alma
Que não guardei para ti,
Esta fome que atormenta o meu cansaço
Mesmo no meu refúgio
(que eu pensava secreto).
Esta angústia que atemoriza
O meu sono solitário,
O meu estado de embriaguês permanente
Sem sentido.
Deixa o meu sono sossegado
Dormir em paz
Não quero nada dos sonhos,
Só ir para longe de ti
Onde eu não sinta esta fome…
Quero voar sem ti
E deixar-te adormecer sozinho
Na sombra do que plantamos.
Quero descobrir que não te quero,
Que não preciso de ti.
Mas agora,
Neste segundo de infortúnio
Seguido de outros
(tão eternos como este)
Tenho fome de ti!
1 comentário:
esta foto que está aqui juntinho ao texto foi tirada pela menina zé num dos muitos jantares em casa do ricardo em donosti... :D
a perna ********
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